terça-feira, 4 de março de 2008

Fanatismo - Florbela Espanca


Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não és sequer razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida.

Não vejo nada assim enlouquecida.

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida.

Tudo no mundo é frágil, tudo passa.

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:

Ah! Podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: Princípio e Fim.



(Florbela Espanca)

Ter ou Não Ter Namorado - Artur da Távola

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.


Namorado é a mais difícil das conquistas.

Difícil porque namorado de verdade é muito raro.



Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.

Mas namorado, mesmo, é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não saiba o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança.

De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.

Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.
(Artur da Távola)
Esse texto foi publicado em 1984 e circula há anos, inclusive em revistas, jornais e antologias, como sendo de Carlos Drummond de Andrade. Muita gente já sabe que é de Artur da Távola, mas em pleno 2007 foi encontrado até mesmo creditado ao Veríssimo e ao nosso amigo Desconhecido. As alterações que ainda circulam por aí (inclusive transformando a crônica em poesia, colocando as frases em coluna....argh!!!) são apavorantes. Por que fazem isso com textos inocentes? Alguns acréscimos, alguns cortes, algumas deformações...a maioria dos textos alterados suprimiu a ordem "ENLOU-CRESÇA." Provavelmente, os Alteradores de Textos Anônimos não entenderam o novo termo.

domingo, 2 de março de 2008

Definitivo - Drummond


Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.


Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao
lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.


Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?


O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:

Iludindo-se menos e vivendo mais!!!


A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se
do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...


Carlos Drummond de Andrade


sábado, 1 de março de 2008

Só Existe Dois dias do Ano - Dalai Lama


Só existem dois dias no ano
que nada pode ser feito.
Um se chama ontem
e o outro se chama amanhã,
portanto,
hoje é o dia certo para AMAR,
ACREDITAR,
FAZER
e principalmente,
VIVER!

(Dalai Lama)

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Woman - John Lennon (tradução)


Uma das últimas músicas compostas por John Lennon, antes de ser assassinado.
Veja o que ele pensava das mulheres.




Woman I can hardly express
My mixed emotions at my thoughtless
After all I'm forever in your debt


And woman I will try to express
My inner feelings and thankfulness
For showing me the meaning of success


Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo


Woman I know you understand
The little child inside of the man
Please remember my life is in your hands


And woman hold me close to your heart
However distant don't keep us apart
After all it is written in the stars


Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, well, well
Doo, doo, doo, doo, doo


Well

Woman please let me explain
I never meant to cause you sorrow or pain
So let me tell you again and again and again


I love you, yeah, yeah
Now and forever


I love you, yeah, yeah
Now and forever


I love you, yeah, yeah
Now and forever


I love you, yeah, yeah


Woman - Mulher (tradução)

Mulher, eu posso com dificuldades expressar
Minhas emoções confusas na minha negligência
Afinal de contas,
estou eternamente em dívida com você


E, mulher, eu tentarei expressar
Os meus sentimentos mais íntimos e a minha gratidão
Por ter me mostrado o significado do sucesso


Ooh, bem, bem
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo


Mulher, eu sei que você compreende
A criancinha dentro do homem
Por favor, lembre-se: minha vida está em suas mãos


E, mulher, mantenha-me próximo do seu coração
Mesmo distantes
não nos mantenha separados
Afinal de contas, está escrito nas estrelas...


Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo


Bem

Mulher, por favor deixe-me explicar
Eu nunca tive intenção de te causar tristeza ou dor
Então, deixe-me te dizer de novo e de novo e de novo


Eu te amo, sim, sim
Agora e eternamente

Eu te amo, sim, sim
Agora e eternamente
Eu te amo sim, sim
Agora e eternamente

Eu te amo, sim, sim...