quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O Silêncio



Aprende com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma,
a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos.

Aprende com o silêncio a respeitar a opinião dos outros,
por mais contrária que seja da sua.

Aprende com o silêncio que a solidão não é o pior castigo,
existem companhias bem piores...

Aprende com o silêncio que a vida é boa,
que nós só precisamos olhar para o lado certo,
ouvir a música certa, ler o livro certo, que pode ser qualquer livro,
desde que você o leia até o fim.

Aprende com o silêncio que tudo tem um ciclo,
como as marés que insistem em ir e voltar,
os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar,
como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo...
Complete a sua tarefa.

Aprende com o silêncio a respeitar a sua vida,
valorizar o seu dia,
enxergar em você as qualidades que possui,
equilibrar os defeitos que você tem e sabe que precisa corrigir e enxergar aqueles que você ainda não descobriu.

Aprende com o silêncio a relaxar,
mesmo no pior trânsito,
na maior das cobranças,
na briga mais acalorada,
na discussão entre familiares.

Aprende com o silêncio a respeitar o seu "eu",
a valorizar o ser humano que você é,
a respeitar o Templo que é o seu corpo e o santuário que é a sua vida.

Aprende hoje com o silêncio,
que gritar não traz respeito,
que ouvir ainda é melhor que muito falar.
E em respeito a você, eu me calo,
me silencio,
para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar,
desejar-lhe um dia vitorioso e confirmar que VOCÊ É ESPECIAL.





Paulo Roberto Gaefke


sábado, 25 de outubro de 2008

Asas Partidas - Gibran Khalil Gibran





"O coração da mulher não muda com o tempo
E não se transforma com as estações. Agoniza longamente,
mas não morre.
O coração da mulher é semelhante aos campos onde
Os homens travam suas guerras e perpetram suas matanças.
Arrancam-lhes as árvores,
Queimam-lhes a grama,
Mancham-lhes as pedras de sangue,
Plantam ossos e crânios no seu solo.
Mas eles permanecem tranquilos e pacíficos e, neles,
A primavera continua a ser primavera..."




Asas Partidas - Gibran Khalil Gibran





sexta-feira, 24 de outubro de 2008


domingo, 19 de outubro de 2008

Ser ou Não Ser de Ninguém


Ser ou Não Ser de Ninguém?
Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates,
nos bares, levanta os braços,
sorri e dispara: "eu sou de ninguém,
eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".

No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados,
os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos,
ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão,
ausência de interesse das pessoas,
descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém,
mas quer que alguém seja seu.

Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso,
viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois?
Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio,
onde "toda ação tem uma reação".
Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins,
como tudo na vida....

Não dá, infelizmente,
para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua,
namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele,
os ingredientes vão além do descompromisso,
como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte,
não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa,
não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
Embora já saibam namorar,
"os tribalistas" não namoram.
Ficar, também é coisa do passado.
A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um,
dois e até três namorix ao mesmo tempo.
Dificilmente está apaixonada por seus namorix,
mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho.
Nessa nova modalidade de relacionamento,
ninguém pode se queixar de nada.

Caso uma das partes se ausente durante uma semana,
a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal,
não estão namorando. Aliás,
quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança?
A nova geração prega liberdade,
mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal",
enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas.
Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente,
o prazer de dormir junto abraçado,
roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade,
carinho e amor.

Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele,
é telefonar só para dizer bom dia,
ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas,
transar por amor,
ter alguém para fazer e receber cafuné,
um colo para chorar,
uma mão para enxugar lágrimas, enfim,
é ter "alguém para amar".

Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio,
esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos,
só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram ( pais e mães dos adeptos do tribalismo),
vendem na maioria das vezes a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras.

Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães,
ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância,
pois somos responsáveis por nossas escolhas,
assim como o que fazemos com as lições que nos chegam.
A questão não é causal,
mas quem sabe correlacional. Podemos aprender a amar se relacionando,
trocando experiências,
afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento...
É arriscar,
pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber,
é estar disponível de alma,
para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.

Ser de todo mundo e não ser de ninguém
é o mesmo que não ter ninguém também...


É não ser livre para trocar e crescer...

É estar fadado ao fracasso emocional
e à tão temida solidão.



Arnaldo Jabor


sábado, 18 de outubro de 2008

Sentir-se Amado - Martha Medeiros




"O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.


Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.


Você sabe que é amado porque lhe disseram isso,
as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa,
sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas,
um espaço enorme para a angústia instalar-se.


A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização,
apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija,
transa e diz que me ama, tenha a santa paciência,
vou querer que ele faça pacto de sangue também?


Pactos. Acho que é isso.
Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar.
É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas,
um pacto de eternidade,
mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.


Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,
que zela pela sua felicidade,
que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,
que sugere caminhos para melhorar,
que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você,
caso você esteja delirando.
"Não seja tão severa consigo mesma,
relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".


Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás,
é vê-la tentar reconciliar você com seu pai,
é ver como ela fica triste quando você está triste
e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo
uma tempestade em copo d´água.
"Lembra que quando eu passei por isso você disse
que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas.
Vem aqui, tira este sapato."


Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro
e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão.
Sente-se amado aquele que se sente aceito,
que se sente bem-vindo, que se sente inteiro.
Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada,
aquele que sabe que não existe assunto proibido,
que tudo pode ser dito e compreendido.
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
sem inventar um personagem para a relação,
pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Sente-se amado quem não ofega,
mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala;
quem não concorda, mas escuta.


Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."




Martha Medeiros


(A autoria não é de Mario Quintana, nem Arnaldo Jabor).
O texto que circula com o título "Sentir-se Amado"
na verdade é uma deformação do texto de
Martha Medeiros.